Fundamentos da Psicologia da Educação
Conteúdo de Pós Graduação: Psicologia da Educação
Relatório de Estudos: Fundamentos da Psicologia da Educação
Este relatório sintetiza os principais conceitos e o campo de atuação da Psicologia da Educação, com base nos tópicos e questões discutidas.
1. Definição e Direcionamento do Campo
A Psicologia da Educação é uma área de investigação dedicada ao estudo dos problemas e fenômenos educacionais, buscando o melhor entendimento dos assuntos relacionados à mente humana e à aprendizagem para proporcionar a melhoria das práticas pedagógicas (Gamez, 2013).
A sua principal contribuição para a Educação é:
Compreender o comportamento humano, suas relações e como estes fatores influenciam no desenvolvimento e na aprendizagem.
2. A Psicologia como Ciência e Seus Objetos
A Psicologia se consolidou como ciência buscando definir um objeto de estudo rigoroso.
Objeto de Estudo (Geral): O principal objeto de estudo da Psicologia é o homem e sua subjetividade, nas suas mais diversas expressões (comportamento, processos mentais, inconsciente, etc.).
Conhecimento Científico vs. Senso Comum: A ciência se distingue pela objetividade e pelo uso de métodos e técnicas bem delineados e verificáveis. O senso comum, por outro lado, é um conhecimento intuitivo, do cotidiano, baseado em tentativa e erro.
3. Fatores do Desenvolvimento e Aprendizagem (Piaget)
Jean Piaget é um dos cientistas mais importantes para a compreensão do desenvolvimento cognitivo. Segundo ele, quatro fatores contribuem de forma significativa para o desenvolvimento:
Maturação: O desenvolvimento biológico e do sistema nervoso.
Experiência: A interação física e lógica da criança com o ambiente e os objetos.
Transmissão Social: A influência cultural, educativa e social.
Equilibração (ou Autorregulação): O fator principal, que é o processo interno de busca de equilíbrio que impulsiona a mudança de estágio cognitivo.
4. A Aprendizagem Social e o Vínculo Afetivo
A Aprendizagem Social Inicial, fase em que a criança internaliza limites, direitos e reflete sobre sua conduta social, é fortemente determinada pela qualidade dos primeiros vínculos:
A relação afetiva e de confiança com os pais (cuidadores) é um fator fundamental para a criança desenvolver a aprendizagem social inicial de maneira saudável, servindo como base de segurança para a exploração do mundo.
5. História da Infância e Educação
A concepção de criança é uma construção histórica e cultural.
A mudança conceitual sobre a infância (a partir do final do século XVIII) criou a necessidade de um espaço separado para a criança (escola e família moderna) e esteve acompanhada por uma chamada à razão no processo educativo. Isso criou as condições para o surgimento das escolas modernas e de um regime disciplinar focado na moralização e no preparo para a vida adulta.
6. Atuação Crítica do Psicólogo Educacional (Pós-1990)
A partir da década de 1990, a atuação do psicólogo educacional se ampliou e se tornou mais crítica, afastando-se do foco exclusivo no "aluno-problema" (modelo clínico-diagnóstico).
O campo de atuação ampliado e crítico se concentra em:
Criar condições para que os professores e profissionais da educação compreendam e estejam atentos aos fatores que influenciam no desenvolvimento acadêmico e psicossocial de seus alunos.
Atuar na formação docente, apoiando os professores na promoção de políticas públicas e intervenções que transformem a rotina e a cultura escolar.
O psicólogo, nessa perspectiva, age como um agente de transformação institucional e um mediador do conhecimento psicológico.
RESUMO PARA ESTUDO
I. Psicologia da Educação e seu Campo de Atuação
A Psicologia da Educação atua na intersecção entre os processos de ensino e de aprendizagem, oferecendo subsídios teóricos para a prática pedagógica.
A principal finalidade da Psicologia da Educação é a melhoria das práticas pedagógicas através da compreensão dos fenômenos educacionais.
A atuação crítica do psicólogo educacional (pós-1990) se afasta do modelo puramente clínico-diagnóstico (focado no indivíduo) para um modelo institucional e preventivo.
O psicólogo escolar/educacional moderno trabalha na capacitação e formação continuada dos professores para que estes possam analisar e intervir nos fatores que afetam o aluno.
Intervenções psicopedagógicas bem-sucedidas consideram tanto os fatores individuais (desenvolvimento e cognição) quanto os fatores sociais e institucionais (cultura escolar).
II. O Status Científico da Psicologia
A Psicologia se constituiu como ciência buscando um objeto de estudo formal, que acabou se diversificando de acordo com as diferentes escolas teóricas (Behaviorismo, Psicanálise, Humanismo, etc.).
O objeto de estudo central da Psicologia envolve a compreensão do comportamento e dos processos mentais (ou a subjetividade humana).
O conhecimento científico se distingue do senso comum pela sua sistematicidade, metodologia rigorosa e busca pela verificabilidade e objetividade.
O senso comum é prático e imediato, mas não possui o aparato de controle de variáveis e o rigor de testes característicos do conhecimento científico.
A diversidade de objetos e métodos na Psicologia não invalida seu status de ciência; é uma característica das ciências humanas e sociais.
III. Teorias do Desenvolvimento (Piaget e Freud)
Segundo Piaget, a Equilibração é o mecanismo central e autorregulador que impulsiona o desenvolvimento cognitivo, buscando o equilíbrio entre assimilação e acomodação.
Os quatro fatores do desenvolvimento de Piaget são: Maturação, Experiência, Transmissão Social e Equilibração.
A Experiência, no contexto piagetiano, inclui a experiência física (ação sobre objetos) e a experiência lógico-matemática (abstração a partir das ações).
Sigmund Freud divide o desenvolvimento humano nas fases psicossexuais: Oral, Anal, Fálica, Latência e Genital.
As fases psicossexuais de Freud estão relacionadas à evolução da libido e à fixação da energia em diferentes zonas erógenas ao longo do desenvolvimento.
IV. Infância, Família e Desenvolvimento Social
A infância é um construto histórico e cultural, não apenas uma fase biológica, sendo a sua percepção transformada na Idade Moderna.
Segundo a história social (Ariès), a separação da criança do mundo adulto levou ao seu confinamento em espaços específicos como a família nuclear e a escola.
A nova percepção da infância, com foco na sua fragilidade e inocência, impôs a necessidade de uma educação moralizada e disciplinada, baseada na razão.
A Aprendizagem Social Inicial da criança depende primordialmente da qualidade do vínculo afetivo e da confiança estabelecida com os cuidadores primários (teoria do apego).
A convivência saudável e a orientação clara fornecem à criança a base para a internalização de limites, a regulação da conduta e o desenvolvimento das interações sociais.
Referências
GAMEZ, L. Psicologia da Educação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. (Referência para a definição do campo da Psicologia da Educação e seu direcionamento).
TANAMACHI, E. de R. Mediações teórico-práticas de uma visão crítica em psicologia escolar. In: TANAMACHI, E. R.; PROENÇA, M.; ROCHA, M. L. (org.). Psicologia e educação: desafios teórico-práticos. São Paulo: Casa do Psicó
logo, 2000. p. 73-103. (Referência para a atuação crítica e ampliada do psicólogo educacional pós-década de 1990).
Referências Teóricas Implícitas (Autores e Conceitos)
PIAGET, Jean. (Teoria do Desenvolvimento Cognitivo/Epistemologia Genética).
Conceitos-chave: Fatores do desenvolvimento (Maturação, Experiência, Transmissão Social, Equilibração).
FREUD, Sigmund. (Psicanálise).
Conceitos-chave: Fases do Desenvolvimento Psicossexual (Oral, Anal, Fálica, Latência, Genital) e Estruturas da Personalidade (Id, Ego, Superego).
ARIÈS, Philippe. (História Social da Criança).
Conceitos-chave: A Infância como Construção Histórica e Cultural; a separação da criança do mundo adulto e o surgimento da escola moderna.
VYGOTSKY, Lev S. (Teoria Histórico-Cultural).
Conceitos-chave: Diferenciação implícita com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que é um dos principais marcos do desenvolvimento na Psicologia da Educação.

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