Atualização e Treinamento de Brigada de Incêndio - 10/12/2025
10.12.2025 - Treinamento In Company Brigada de Incêndio
É essencial que a Brigada de Incêndio esteja plenamente preparada para enfrentar os perigos do fogo e atuar de forma coordenada e eficiente.
Principais Riscos no Combate ao Incêndio
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Os riscos no combate ao incêndio são diversos e ameaçam a vida dos brigadistas e a eficácia da ação:
Fumaça e Gases Tóxicos: O maior risco. A fumaça contém gases letais (monóxido de carbono, cianeto de hidrogênio) que causam a maioria das mortes. A inalação leva à desorientação, perda de consciência e asfixia.
Calor e Queimaduras: O calor extremo (radiação) pode causar queimaduras graves, mesmo sem contato direto com a chama, e levar à desidratação e exaustão por calor.
Colapso Estrutural: A alta temperatura enfraquece a estrutura do edifício (vigas, lajes, telhados). O risco de desabamento ou queda de objetos é constante.
Flames Back / Flashover:
Flashover: É a ignição súbita e quase simultânea de todos os materiais combustíveis em um ambiente, quando a temperatura atinge o ponto de ignição.
Backdraft: Explosão repentina que ocorre quando o oxigênio é reintroduzido em um ambiente fechado, com alta concentração de calor e gases não queimados.
Risco Elétrico: Contato com instalações elétricas energizadas ou equipamentos sob tensão, podendo causar choque elétrico grave.
Explosões e Vazamentos: Riscos associados a cilindros de gás, tanques de líquidos inflamáveis ou reações químicas descontroladas (BLEVE).
Condições Ambientais: Pisos escorregadios, pouca visibilidade, desorientação e obstáculos que podem causar quedas e lesões.
Principais Falhas e Dificuldades da Brigada
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As falhas no sistema de Brigada de Incêndio, frequentemente citadas em estudos e relatórios pós-sinistros (como Joelma e Kiss), podem ser divididas em operacionais e de gestão:
A. Dificuldades e Falhas de Gestão (As Piores Falhas)
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Estas são as falhas que comprometem todo o sistema de segurança, desde a origem, e são as mais difíceis de corrigir em uma emergência.
Falta de Treinamento Adequado e Reciclagem: Brigadistas não estão familiarizados com os procedimentos, o uso correto dos equipamentos (principalmente hidrantes) ou não participam de simulados realistas.
Insuficiência Numérica ou Rotatividade: Não ter o número mínimo de brigadistas por setor/turno conforme a IT 17 ou ter alta rotatividade, resultando em uma equipe sempre despreparada.
Ausência/Desatualização do Plano de Emergência: Não possuir um documento claro, conhecido por todos, que detalhe as rotas de fuga, o Ponto de Encontro e as responsabilidades.
Falha na Manutenção de EPC: Equipamentos de proteção coletiva (extintores descarregados, mangueiras furadas, Portas Corta-Fogo obstruídas ou travadas) que tornam o combate inicial impossível.
Falta de Suporte da Liderança: Quando a administração da empresa ou condomínio não fornece os recursos, o tempo ou o reconhecimento necessário para o treinamento e a atividade da Brigada.
B. Falhas Operacionais no Combate
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Priorização Errada: Focar no combate (patrimônio) antes do acionamento do alarme e da evacuação (vidas).
Erro no Agente Extintor: Utilizar um agente inadequado para a classe de incêndio (Ex.: Água em fogo Classe B ou C).
Uso de Equipamento Incorreto: Tentar combater o fogo com extintores em chamas já fora do princípio de incêndio, onde apenas o Corpo de Bombeiros, com equipamentos de proteção adequados, deveria atuar.
Uso de Rotas Inseguras: Entrar em áreas com fumaça sem proteção respiratória ou utilizar elevadores.
Comportamento e Princípios para um Bom Planejamento
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O comportamento da Brigada deve ser regido por princípios de disciplina, coordenação e calma sob pressão.
A. Comportamento Essencial da Brigada
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Disciplina e Liderança: Seguir rigorosamente as instruções do Líder da Brigada e do Coordenador Geral. Ações individuais desordenadas comprometem a segurança de todos.
Comunicação Clara e Constante: Manter a comunicação entre os membros (via rádio ou verbalmente) para informar sobre a localização do fogo, a situação das vítimas e o status da rota de fuga.
Cuidado Mútuo (Buddy System): Nunca atuar sozinho. Os brigadistas devem trabalhar em duplas (Sistema Buddy), monitorando a segurança um do outro.
Controle Emocional (Calma): Agir de forma metódica e controlada. A calma é contagiosa e essencial para guiar os ocupantes em pânico.
Prioridade à Vida: A principal missão é salvar vidas, antes de tentar salvar o patrimônio.
B. Princípios para um Bom Planejamento
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O planejamento eficaz garante que a Brigada saiba o que fazer em cada cenário.
Conhecimento da Planta e Riscos: O planejamento deve incluir o mapeamento de todos os riscos (inflamáveis, elétricos, vazamentos), a localização dos equipamentos (extintores, válvulas) e as rotas de fuga.
Definição Clara de Responsabilidades: Cada membro deve saber exatamente qual é a sua função (líder de andar, combate, primeiros socorros, comunicação) e quem substituir em caso de ausência.
Treinamento Específico por Risco: O treinamento não deve ser genérico. Se há risco químico, a brigada deve treinar o uso de EPIs específicos e descontaminação. Se há altura, deve treinar evacuação vertical.
Integração com o Plano de Continuidade de Negócios: O planejamento deve incluir a forma como a Brigada interage com a equipe de segurança e manutenção para o corte de utilidades (gás, energia) e preservação de documentos críticos.
Simulações Regulares e Avaliação Pós-Simulado: Realizar simulados em diferentes cenários (ex: simulação noturna ou com rotas bloqueadas) e utilizar os resultados para corrigir falhas e atualizar o Plano de Emergência.
Orientações para Reflexão da Brigada de Incêndio
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1. Preparo e Conhecimento Técnico (O que sabemos?)
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Risco de Incêndio e Classes: ❓ Nossos membros conseguem identificar, sem hesitação, a Classe de Incêndio correta e o Agente Extintor Proibido para cada tipo de material (especialmente Classe C e B)?
Perigos Atmosféricos: ❓ Todos compreendem que a Fumaça e os Gases Tóxicos são a maior ameaça? Qual é o procedimento exato para evacuação em baixa visibilidade (caminhar agachado)?
Ponto de Não-Retorno: ❓ A Brigada consegue determinar, em segundos, quando o fogo excede o princípio (altura maior que o brigadista, calor intenso) e o combate deve ser abandonado em favor da evacuação e isolamento?
Uso de Equipamentos: ❓ Cada membro consegue manusear corretamente o hidrante e aplicar o método PASS em um extintor, sem hesitação, sob pressão?
2. Gestão e Planejamento (O que precisamos garantir?)
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Vigência do Plano: ❓ O Plano de Emergência é conhecido por todos os brigadistas? A planta do prédio (layout, válvulas) está acessível e atualizada para a Brigada?
Reciclagem e Prática: ❓ Qual foi a data do último Simulado de Abandono geral? O simulado incluiu um cenário com rotas bloqueadas ou falha de iluminação?
Manutenção de EPC (Evitar Falhas Críticas): ❓ Quem é o responsável por inspecionar semanalmente as Portas Corta-Fogo (PCF) para garantir que estão desobstruídas e fechando corretamente? Os extintores estão na validade e devidamente sinalizados?
Recursos Humanos (IT 17): ❓ Temos o número mínimo de brigadistas em todos os turnos (diurno e noturno) conforme exigido pela Instrução Técnica 17?
3. Conduta e Coordenacão (Como agimos sob pressão?)
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Hierarquia e Comunicação: ❓ Quem assume o comando em uma emergência e como os demais comunicam a situação (foco, vítimas) de forma rápida e precisa (Ex.: rádio, telefone)?
Prioridade da Ação: ❓ Diante de um alarme de incêndio, qual é a primeira ação antes de se pensar em combate? (Resposta: Acionamento do Corpo de Bombeiros e Alarme Geral).
Sistema de Dupla (Buddy System): ❓ Nossos brigadistas estão treinados para nunca atuar sozinhos e sempre verificar a segurança e o status do seu parceiro antes e durante a ação?
Risco de Colapso: ❓ Temos um procedimento para avaliar o risco estrutural (Ex.: rachaduras, deformação de vigas) e determinar a retirada imediata da área em caso de colapso iminente?
4. Lições de Desastres (O que aprendemos com a história?)
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Risco do Elevador (Lição Joelma): ❓ Temos um procedimento claro para bloquear os elevadores e garantir que nenhum ocupante tente utilizá-los para evacuar?
Risco do Pânico: ❓ Estamos preparados para lidar com o pânico dos ocupantes, fornecendo instruções firmes e calmas para direcioná-los à rota de fuga mais segura?
Apoio ao Socorro Externo: ❓ Se o Corpo de Bombeiros chegar, quem é o brigadista designado para recebê-los, fornecer as chaves mestras e o mapa exato do fogo?
Esta reflexão, se feita periodicamente, garantirá que a Brigada não só memorize os procedimentos, mas compreenda a razão de ser de cada regra de segurança.
Guia de Conduta Essencial do Brigadista: Agindo com Segurança e Eficácia
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Erros Fatais a Evitar | Por que é um Erro Crítico? |
Utilizar elevadores para evacuar | É uma rota insegura. Em um incêndio, os elevadores podem parar por falta de energia, prendendo os ocupantes em uma armadilha mortal (a trágica lição do incêndio do Edifício Joelma). |
Usar água em fogo de Classe B ou C | É um erro grave de uso do agente extintor. Em Classe B (líquidos inflamáveis), a água pode espalhar o fogo. Em Classe C (equipamentos elétricos), causa risco de choque elétrico grave. |
Tentar combater um fogo que já passou do princípio de incêndio | É expor-se a um risco fatal. Um fogo generalizado exige equipamentos de proteção avançados e técnicas que apenas o Corpo de Bombeiros possui. A vida do brigadista é mais valiosa que qualquer equipamento. |

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