DOENÇAS OCUPACIONAIS - PERGUNTAS E RESPOSTAS

As doenças ocupacionais têm uma história longa e complexa, com registros de sua existência desde a Antiguidade, e sua compreensão e regulamentação evoluíram significativamente ao longo dos séculos.

JOGO - DOENÇAS OCUPACIONAIS 1

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Marcos Históricos Mundiais das Doenças Ocupacionais

  • Antiguidade (c. 400 a.C. - Séc. I d.C.):

    • Hipócrates (460-375 a.C.), considerado o "pai da Medicina", já observava e descrevia enfermidades em mineiros e associava certas deformações esqueléticas a profissões específicas.
    • Plínio, o Velho (23-79 d.C.), em sua obra História Natural, descreveu deficiências em mineradores de chumbo, zinco e enxofre, e até recomendava o uso de máscaras protetoras feitas de bexigas de animais.
    • Galeno (129-217 d.C.) estudou doenças do trabalho nas ilhas do Mediterrâneo, relacionando medicina e higiene à saúde.
  • Idade Média (Séc. XV):

    • Ulrich Ellenbog (1473), na Alemanha, escreveu sobre doenças de ourives causadas pelos gases utilizados em seu trabalho.
  • Renascimento (Séc. XVI-XVIII):

    • Georg Bauer (Georgius Agricola) (1494-1555), em sua obra De Re Metallica (1556), fez referências a doenças pulmonares em mineiros, descrevendo sintomas que hoje atribuímos à silicose, que ele denominou "asma dos mineiros".
    • Paracelso (1493-1541), considerado o "pai da Toxicologia", cunhou a famosa frase: "Todas as substâncias são venenos. É a dose que diferencia os venenos dos remédios", contribuindo para o entendimento dos efeitos de substâncias químicas no organismo.
    • Bernardino Ramazzini (1633-1714), médico italiano, é considerado o "pai da Medicina do Trabalho". Em 1700, publicou a obra De Morbis Artificum Diatriba (As Doenças dos Artesãos), onde descreveu 54 doenças relacionadas ao trabalho e introduziu a pergunta "Qual é a sua ocupação?" na anamnese clínica, revolucionando a abordagem da saúde ocupacional.
    • Percival Pott (1775), na Inglaterra, foi o primeiro a caracterizar o câncer de escroto como uma doença ocupacional, observada em limpadores de chaminés, e associou-o à fuligem e à falta de higiene.
  • Revolução Industrial (Séc. XIX):

    • O advento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII na Inglaterra, intensificou os riscos no ambiente de trabalho devido às novas máquinas e processos. Isso levou ao aumento das doenças e acidentes, impulsionando a necessidade de regulamentação.
    • 1802: Publicação da Lei das Fábricas na Inglaterra, que buscava regular o trabalho, especialmente de crianças, e estabelecia medidas mínimas de ventilação.
    • Karl Marx, em sua obra O Capital, denunciou as péssimas condições de trabalho, incluindo o trabalho infantil e as jornadas exaustivas.
    • 1831: Charles T. Thackrah descreveu doenças relacionadas ao trabalho em geral.
    • Surgimento de termos como "cólica do pintor" (envenenamento por chumbo), "tísica" (silicose em mineiros) e "tremedeira dos chapeleiros" (exposição a mercúrio).
  • Século XX em diante:

    • 1919: Criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um marco global para a proteção dos trabalhadores.
    • 1949: Criação da Ergonomic Research Society.
    • 1953: A OIT publica a Recomendação nº 97 sobre proteção da saúde dos trabalhadores.
    • 1987: Criação da Comissão Internacional de Saúde Ocupacional (ICOH), que reúne profissionais da área.

Marcos Históricos das Doenças Ocupacionais no Brasil

A evolução da saúde e segurança no trabalho no Brasil, incluindo as doenças ocupacionais, foi gradual e muitas vezes impulsionada por eventos e transformações sociais.

  • Fim do Século XIX e Início do Século XX:

    • 1891: Publicação do Decreto nº 1.313, que regulamentava o trabalho de menores nas fábricas da capital federal, considerado um marco inicial para a inspeção do trabalho no Brasil.
    • 1919: Promulgação da Lei nº 3.724, a primeira lei brasileira sobre acidentes de trabalho, que regulava as obrigações resultantes desses acidentes.
  • Período Vargas e CLT:

    • 1930: Criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que passou a coordenar as questões de saúde ocupacional.
    • 1943: Promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que consolidou diversas leis esparsas e trouxe avanços na regulamentação das relações de trabalho, incluindo aspectos de saúde e segurança.
  • Pós-CLT e Normas Regulamentadoras (NRs):

    • 1966: Criação da FUNDACENTRO (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho), com o objetivo de pesquisar e difundir conhecimentos sobre segurança e medicina do trabalho.
    • 1970: Antes da criação das Normas Regulamentadoras, o Brasil era considerado um dos países com o maior número de acidentes de trabalho.
    • 1977: Promulgação da Lei nº 6.514, que alterou o Capítulo V do Título II da CLT, relativo à segurança e medicina do trabalho.
    • 1978: Criação das Normas Regulamentadoras (NRs), por meio da Portaria nº 3.214. As NRs estabeleceram requisitos e procedimentos detalhados para garantir a saúde e segurança dos trabalhadores. Algumas das mais relevantes para doenças ocupacionais incluem:
      • NR 5: CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio)
      • NR 6: EPI (Equipamento de Proteção Individual)
      • NR 7: PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional)
      • NR 9: PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais)substituída pelo PGR em 2022.
  • Século XXI:

    • 2012: Criação da NR 35 (Trabalho em Altura), focando em riscos específicos.
    • 2020: Início da revisão de diversas NRs, buscando modernização e simplificação, como a NR 1 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), que formalizou o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) em substituição ao PPRA.
    • 2023: O Ministério da Saúde atualiza a lista de doenças relacionadas ao trabalho após 24 anos, incorporando 165 novas patologias, refletindo os avanços no conhecimento e nas novas formas de adoecimento laboral.

A história das doenças ocupacionais é um reflexo contínuo da relação entre o trabalho humano e a saúde, impulsionando a busca por ambientes de trabalho mais seguros e justos.





Doenças Ocupacionais e Seus Procedimentos de Prevenção: Perguntas e Respostas

As doenças ocupacionais são um tema crucial para a saúde e segurança no trabalho, impactando tanto empregados quanto empregadores. Compreender suas causas, sintomas e, principalmente, as medidas preventivas é fundamental para garantir um ambiente de trabalho saudável e produtivo.

A seguir, apresentamos 30 perguntas e respostas abrangendo os principais aspectos das doenças ocupacionais e seus respectivos procedimentos de prevenção:


Perguntas e Respostas

1. O que são Doenças Ocupacionais? Doenças ocupacionais são aquelas causadas ou agravadas pelas condições de trabalho, resultando em lesões, perturbações funcionais ou doenças que afetam a saúde do trabalhador.




2. Qual a diferença entre Doença Ocupacional e Acidente de Trabalho? A doença ocupacional se desenvolve ao longo do tempo devido à exposição contínua a agentes nocivos ou condições inadequadas no ambiente de trabalho. Já o acidente de trabalho é um evento súbito e inesperado que ocorre durante o desempenho das atividades laborais, causando lesão corporal ou perturbação funcional.




3. Quais são os principais tipos de Doenças Ocupacionais? Os principais tipos incluem: doenças musculoesqueléticas (LER/DORT), doenças respiratórias, doenças de pele, transtornos mentais e comportamentais, perda auditiva induzida por ruído (PAIR) e cânceres ocupacionais.




4. O que significa LER/DORT? LER (Lesões por Esforços Repetitivos) e DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) são termos que se referem a um grupo de condições que afetam músculos, tendões, nervos e ligamentos, causadas ou agravadas por movimentos repetitivos, posturas inadequadas, força excessiva ou estresse.



5. Quais são os sintomas comuns de LER/DORT? Dor, formigamento, dormência, inchaço, perda de força e dificuldade de movimentação em regiões como pulsos, mãos, ombros, pescoço e coluna.



6. Como prevenir LER/DORT? A prevenção envolve ergonomia adequada do posto de trabalho, pausas regulares para alongamento, alternância de tarefas, ginástica laboral e conscientização sobre postura correta.



7. O que são doenças respiratórias ocupacionais? São doenças que afetam o sistema respiratório devido à inalação de poeiras, gases, vapores, fumos ou névoas presentes no ambiente de trabalho.



8. Cite exemplos de doenças respiratórias ocupacionais. Asma ocupacional, silicose, asbestose e bronquiolite obliterante.



9. Como prevenir doenças respiratórias ocupacionais? Medidas incluem controle de poeiras e agentes químicos (ventilação adequada), uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) respiratórios, exames médicos periódicos e monitoramento ambiental.



10. Quais são as principais doenças de pele ocupacionais? Dermatites de contato (irritativas ou alérgicas), urticária e câncer de pele ocupacional.



11. Como prevenir doenças de pele ocupacionais? Utilização de luvas, cremes protetores, higiene pessoal adequada, ventilação e manuseio seguro de substâncias químicas.



12. Quais são os transtornos mentais e comportamentais mais comuns no trabalho? Depressão, ansiedade, síndrome de burnout e estresse pós-traumático.



13. O que causa transtornos mentais e comportamentais no ambiente de trabalho? Carga de trabalho excessiva, pressão por resultados, assédio moral, falta de reconhecimento, ambiente de trabalho tóxico e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.



14. Como prevenir transtornos mentais e comportamentais no trabalho? Promoção de um ambiente de trabalho saudável, políticas de gestão de estresse, apoio psicológico, programas de bem-estar, respeito e combate ao assédio.



15. O que é PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído)? É a diminuição gradual da capacidade auditiva causada pela exposição contínua a níveis elevados de ruído no ambiente de trabalho.



16. Como prevenir a PAIR? Controle de ruído na fonte (engenharia), uso de protetores auriculares ou abafadores, exames audiométricos periódicos e programas de conservação auditiva.



17. O que são cânceres ocupacionais? São cânceres desenvolvidos devido à exposição prolongada a agentes químicos, físicos ou biológicos cancerígenos presentes no ambiente de trabalho.



18. Cite exemplos de agentes cancerígenos ocupacionais. Amianto, benzeno, radiação ionizante e cromo.



19. Como prevenir cânceres ocupacionais? Eliminação ou substituição de agentes cancerígenos, controle de exposição, uso de EPIs específicos, monitoramento ambiental e exames médicos periódicos.



20. Qual a importância do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) na prevenção de doenças ocupacionais? O PPRA é um programa obrigatório que visa antecipar, reconhecer, avaliar e controlar os riscos ambientais (físicos, químicos e biológicos) existentes no ambiente de trabalho, prevenindo doenças ocupacionais. (É importante notar que o PPRA foi substituído pelo PGR - Programa de Gerenciamento de Riscos, a partir de 2022).



21. O que é o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)? O PGR é um documento que estabelece as diretrizes para a gestão de riscos ocupacionais, identificando perigos, avaliando riscos e propondo medidas de prevenção e controle. Substituiu o PPRA em 2022.



22. Qual o papel dos exames médicos ocupacionais na prevenção? Os exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissionais são fundamentais para monitorar a saúde do trabalhador, identificar precocemente alterações e atestar sua aptidão para a função.



23. O que são Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e qual sua importância? EPIs são dispositivos ou produtos de uso individual utilizados pelo trabalhador para sua proteção contra riscos que possam ameaçar sua segurança e saúde. São cruciais para complementar as medidas de proteção coletiva.



24. Quais são os principais EPIs utilizados na prevenção de doenças ocupacionais? Luvas, óculos de segurança, protetores auriculares, máscaras respiratórias, calçados de segurança e vestimentas especiais.



25. Qual a importância da ergonomia na prevenção de doenças ocupacionais? A ergonomia busca adaptar o ambiente de trabalho às características e necessidades do trabalhador, visando otimizar o conforto, a segurança e a eficiência, e minimizando riscos de lesões e doenças.



26. Como a ginástica laboral contribui para a prevenção? A ginástica laboral são exercícios realizados no ambiente de trabalho que visam compensar os esforços repetitivos, reduzir a fadiga, melhorar a postura e promover o bem-estar físico e mental.



27. O que é a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) e qual sua função? A CIPA é uma comissão formada por representantes de empregadores e empregados que tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, além de combater o assédio.



28. Qual a responsabilidade do empregador na prevenção de doenças ocupacionais? É responsabilidade do empregador garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável, fornecer EPIs, realizar treinamentos, implementar programas de prevenção e cumprir as normas regulamentadoras.



29. Qual a responsabilidade do empregado na prevenção de doenças ocupacionais? O empregado deve cumprir as normas de segurança, usar corretamente os EPIs fornecidos, participar dos treinamentos, comunicar riscos e zelar pela sua saúde e segurança, bem como a de seus colegas.



30. Quais os benefícios de um programa eficaz de prevenção de doenças ocupacionais para a empresa? Redução de acidentes e doenças, diminuição de custos com afastamentos e tratamentos, aumento da produtividade, melhoria do clima organizacional, fortalecimento da imagem da empresa e cumprimento da legislação.



1. Agentes Físicos

  • Radiação Solar (Ultravioleta - UV): Este é um dos riscos mais significativos.
    • Doenças: Câncer de pele (melanoma e não melanoma), queimaduras solares, envelhecimento precoce da pele, lesões oculares (catarata, pterígio, fotoceratite).


  • Temperaturas Extremas (Calor e Frio):
    • Calor excessivo:
      • Doenças: Desidratação, exaustão por calor, intermação (golpe de calor), câimbras de calor, erupções cutâneas (brotoejas).


    • Frio intenso:
      • Doenças: Hipotermia, congelamento de extremidades (pé de trincheira, frieiras), doenças respiratórias (bronquite, pneumonia, gripes e resfriados mais frequentes).



  • Ruído: Em algumas atividades a céu aberto (ex: construção civil, máquinas agrícolas, tráfego intenso).
    • Doenças: Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), zumbido, estresse, distúrbios do sono.



  • Umidade: Chuva, neblina, ambientes úmidos.
    • Doenças: Doenças respiratórias, dermatites, micoses.




  • Vibração: Operação de máquinas e equipamentos (ex: tratores, marteletes).
    • Doenças: Distúrbios osteomusculares (LER/DORT), síndrome de Raynaud (dedos brancos).



2. Agentes Biológicos

  • Exposição a Vetores e Reservatórios: Insetos, aracnídeos, roedores, animais peçonhentos.
    • Doenças: Dengue, Chikungunya, Zika, Malária, Leptospirose, Tétano, Doença de Chagas, Febre Amarela, acidentes com animais peçonhentos (picadas de cobras, aranhas, escorpiões).



  • Contato com Solos Contaminados, Água e Esgoto:
    • Doenças: Leptospirose, Tétano, hepatites, verminoses, infecções de pele.




  • Vegetais: Seiva, pólen, espinhos.
    • Doenças: Dermatites de contato, alergias respiratórias.




3. Agentes Químicos

  • Agrotóxicos e Defensivos Agrícolas: Em atividades rurais.
    • Doenças: Intoxicações agudas e crônicas (neurológicas, hepáticas, renais), dermatites, cânceres, problemas reprodutivos.




  • Poluentes Atmosféricos: Fumaça, gases de veículos, partículas em suspensão.
    • Doenças: Doenças respiratórias crônicas (asma, bronquite), câncer de pulmão.



  • Substâncias Presentes em Obra: Poeiras (sílica), cimento, tintas, solventes (construção civil).
    • Doenças: Silicose, dermatites de contato, doenças respiratórias.



4. Agentes Ergonômicos

  • Posturas Inadequadas e Esforço Físico Repetitivo/Intenso: Comum em atividades manuais, carregamento de peso, movimentos repetitivos



  • Doenças: LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos / Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) – lombalgias, tendinites, bursites, problemas de coluna.



  • Jornadas de Trabalho Prolongadas:
    • Doenças: Fadiga, estresse, distúrbios do sono, aumento do risco de acidentes.



5. Agentes de Acidentes (Fatores de Risco)

Embora não sejam diretamente "doenças" no sentido patológico, os acidentes podem levar a lesões permanentes e incapacidades, que são consequências graves do trabalho.

  • Condições Climáticas: Chuva, ventos fortes, raios.
  • Terreno Irregular: Quedas.
  • Máquinas e Equipamentos: Sem proteção ou manutenção.
  • Trânsito: Risco de atropelamentos ou colisões em vias públicas.
  • Animais: Ataques ou acidentes.

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