IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DE RISCOS - SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO

 


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A identificação e o controle de riscos ocupacionais constituem a espinha dorsal do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme estabelecido pela NR-01. O processo segue uma abordagem sistêmica dividida em etapas sequenciais para garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores.



1. Levantamento de Perigos e Identificação de Riscos

Nesta fase, mapeiam-se os perigos (fontes com potencial de causar lesões ou agravos à saúde) e os riscos associados (combinação da probabilidade de ocorrência com a severidade das lesões).





Classificação dos Agentes e Fatores de Risco:


  • Físicos: Ruído, vibrações (VIB/Varen), radiações ionizantes e não ionizantes, temperaturas extremas (frio/calor), pressão hiperbárica e umidade.

  • Químicos: Poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores e substâncias químicas absorvidas por via cutânea ou digestiva.

  • Biológicos: Vírus, bactérias, fungos, parasitas e protozoários.

  • Ergonômicos: Levantamento/transporte manual de cargas, repetitividade, postura inadequada, exigência de força, ritmos excessivos, trabalho noturno e fatores psicossociais.

  • Acidentes (Mecânicos): Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção (NR-12), ferramentas defeituosas, trabalho em altura (NR-35), risco de incêndio/explosão e iluminação inadequada.




Ferramentas Práticas de Mapeamento:


  1. APR (Análise Preliminar de Risco): Identificação de perigos antes da execução de tarefas críticas.

  2. Inspeções de Segurança e Listas de Verificação (Checklists): Avaliação de rotina no ambiente de trabalho.

  3. FMEA / Hazop: Análises qualitativas e quantitativas voltadas para processos industriais complexos.

  4. Análise de Incidentes e Acidentes: Levantamento do histórico para prevenção de reincidências.





2. Avaliação de Riscos (Matriz de Risco)

Após a identificação, cada risco deve ser classificado em um nível de risco para priorização das ações.

$$\text{Nível de Risco} = \text{Severidade das Consequências} \times \text{Probabilidade de Ocorrência}$$
  • Severidade: Determina a gravidade da lesão ou agravo (ex.: insignificante, moderada, crítica, catastrófica).

  • Probabilidade: Considera a frequência de exposição, a eficácia das medidas de controle existentes e o tempo de contato.

A combinação desses fatores determina se o risco é Baixo, Médio, Alto ou Crítico, direcionando o tempo de resposta e o rigor do Plano de Ação.





3. Hierarquia das Medidas de Controle (NR-01 e ISO 45001)

A adoção de medidas de prevenção deve obrigatoriamente respeitar a Hierarquia de Controles, priorizando soluções na fonte geradora antes de recorrer a proteções individuais.




  1. Eliminação: Remoção completa do perigo do ambiente de trabalho (ex.: automatizar um processo totalmente manual perigoso).

  2. Substituição (Substituição/Trocado): Troca de um agente nocivo por outro de menor risco (ex.: substituir tinta à base de solvente orgânico por tinta à base de água).

  3. Controles de Engenharia / Proteção Coletiva (EPC): Isolamento do perigo ou barreira física entre o perigo e o trabalhador (ex.: enclausuramento acústico de máquinas, sistemas de exaustão localizada, guarda-corpos e redes de proteção).

  4. Controles Administrativos e de Organização do Trabalho: Medidas operacionais para reduzir o tempo de exposição ou a probabilidade de falhas (ex.: rodízio de tarefas, sinalização de segurança, Treinamentos Operacionais, Análise Preliminar de Risco - APR, Permissão de Trabalho - PT).

  5. Equipamentos de Proteção Individual (EPI - NR-06): Utilizado apenas quando as medidas anteriores forem tecnicamente inviáveis, insuficientes ou estiverem em fase de implantação (ex.: protetor auditivo, óculos de segurança, calçado de segurança, cinto tipo paraquedista).




4. Monitoramento e Revisão Contínua



O controle de riscos não é estático. A NR-01 exige a reavaliação contínua dos riscos ocupacionais nas seguintes situações:

  • Mudanças nos processos, equipamentos ou matérias-primas.

  • Ocorrência de acidentes ou doenças ocupacionais.

  • Alterações na legislação aplicável.

  • A cada 2 anos (ou até 3 anos para empresas que possuem certificação em Sistema de Gestão de SST, como a ISO 45001).














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